Áustria: Vacinação Obrigatória contra a Covid19

Ontem, 16 de janeiro, o governo austríaco apresentou o rascunho da lei da vacinação obrigatória na Áustria. A partir de fevereiro, todos aqueles que possuem residência no país alpino, maiores de 18 anos, devem ser vacinados contra a Covid19. A exceção são as grávidas ou aquelas pessoas não podem tomar a vacina por motivos de saúde.

Haverá um período de transição que será a até metade de março. Todos receberão uma carta explicando sobre a obrigatoriedade da vacina contra a Covid19. A partir do 16 de março, os controles se darão em estilo blitz de trânsito. As multas variam entre 600 euros e podem chegar até 3.600 euros.

A Áustria possue uma taxa de vacinação baixa, com 71,6% da população duplamente vacinada. Um dos motivos da “resistência” contra a vacina está na má gestão do governo da Pandemia contra a Covid19. O ex-Kanzler Sebastian Kurz havia declarado, ainda no verão europeu, que a Pandemia havia acabado para os vacinados.

Ao mesmo tempo, não houve nenhum tipo de campanha para a vacinação contra a Covid19. Alguns spots esporádicos na televisão e algo pelas redes sociais e nada mais. Até a cidade de Viena, que adotou um esquema mais duro para a Covid19, não fez nenhuma campanha de vacinação. Apenas alguns cartazes pela cidade. Isso se extende para a Alemanha que também possue uma baixa taxa de vacinação.

Resistência européia

Um dos grandes problemas para a vacinação obrigatória é bater de frente com as liberdades individuais. Isso é muito fomentado na Europa Central. Ao mesmo tempo, há um setor da esquerda, altamente ideológico, que não acredita na ciência e tampouco “nenhuma química” no corpo.

Na hora dos protestos, que são a cada fim de semana, nas principais cidades austríacas, incluindo Viena, esse setor da esquerda protesta junto com a extrema-direita. Esses conhecidos por serem negacionistas em tudo.

De acordo com as estatísticas são 30% da população que não quer se vacinar, por vários motivos. Se a vacinação atenta contra as “liberdades individuais”, o que explicar das milhares de pessoas que morreram? Na Áustria são mais de 13 mil mortos e uma sobrecarga no sistema de saúde, especialmente nas Unidades de Terapia Intensiva. Milhares de cirurgias que tiveram de ser pospostas e todo os funcionários da saúde que estão exaustos. Por cima, esses ainda encaram ameaças dos fanáticos anti-vaxx.

Vacina obrigatória como solução

Atualmente, a Áustria, como a Europa enfrenta a quinta onda de infecção da Ômicron. Essa variante, menos agressiva que a Delta, mas bem mais infecciosa. Isso fez com que o número de casos ultrapasasse a casa de 15 mil casos, por dia.

Mas, por se tratar de uma variante mais “leve”, há mais hospitalizações nas enfermarias e não nas UTIs. Mesmo assim, os especialistas afirmam que a terceira dose da vacina, a chamada “booster” é fundamental para que os sintomas da doença, caso a pessoa seja infectada, não progrida para uma possível ida para a UTI ou para a morte.

Ao mesmo tempo, os especialistas estão muito cautelosos sobre um suposto fim da Pandemia com a Ômicron, mesmo que parte da população seja infectada. Ainda não é claro, o surgimento de uma outra variante, até mesmo, mais mortal.

No caso da Áustria, a vacinação obrigatória é uma alternativa aos lockdowns que deixaram prejuízos enormes, seja com um número elevado de mortes, seja na economia com milhares de empresas quebradas ou desempregados, além dos impactos psicológicos na população, especialmente, para os mais jovens.

No país alpino foram quatro lockdowns e um prejuízo de 100 milhões de euros, por dia. Viver de lockdown em lockdown, também não é solução. A pergunta será o que fazer com aqueles que não querem se vacinar? Há a probalidade dos protestos se tornarem mais agressivos. Os próximo tempos na Áustria e na Europa não serão fáceis…