Será que o Kurz cai?

Ontem, 12 de maio, a Procuradoria Geral da Áustria, especializada em Corrupção: Die Wirtschafts- und Korruptionsstaatsanwaltschaft (WKStA) anunciou investigações contra o Primeiro-Ministro Sebastian Kurz.

Kurz está sendo acusado de mentir, quando prestou depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito do Ibiza-Affäre. Essa CPI foi implementada, praticamente junto com a posse do governo de coalizão entre conservadores, ÖVP e os verdes, em janeiro de 2020.

A CPI é uma continuação da queda do primeiro governo de Sebastian Kurz, quando estava com a coalizão com o partido da ultra-direita, FPÖ. O governo caiu depois da divulgação de um vídeo, ainda antes da eleições, em Ibiza, do ex vice Primeiro-Ministro Heinz-Christian Strache.

Nesse vídeo, Strache com seu antigo colega de partido, Johannes Gudenus, em uma mansão em Ibiza, na Espanha, pede dinheiro para uma suposta oligarga russa.

Com esse dinheiro, Strache compraria um dos principais jornais da Áustria, o Krone Zeitung, além do financiamento ilegal do partido, o FPÖ*.

As eleições foram em 2017, governo empossado no mesmo ano. Durou um ano e 161 dias. Sebastian Kurz tentou com seu partido, ÖVP* governar sozinho, mas perdeu o apoio do parlamento.

De junho de 2019 até janeiro de 2020, a Áustria foi governada pela vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, Birgit Bierlein.

Apesar do escândalo, mais uma vez Primeiro-Ministro

Mesmo com o escândalo do fim do seu primeiro governo, Sebastian Kurz retornou como Primeiro-Ministro, como cabeça de lista de seu partido, o ÖVP.

As eleições aconteceram em outubro de 2019. O partido ÖVP conseguiu 97 cadeiras e formou governo com os verdes, que conseguiram 26 cadeiras*. Primeira vez, na história da Áustria, uma coalizão fora do clássico “conservadores-socialdemocratas”.

Entrevista difícil no ZIB2

Ontem mesmo, Sebastian Kurz deu uma entrevista, no principal telejornal da Áustria, o ZIB2 – Zeit im Bild2, o que correponderia ao jornal das 10 das noite, no Brasil.

Em pouco mais vinte minutos, ele se defendeu e afirmou que não renunciaria, mesmo correndo o risco de ser preso, caso a denúncia seja confirmada. O apresentador, Armin Wolf é um dos jornalistas mais respeitados da imprensa germanofona. A entrevista foi bem áspera.

Isso gerou uma grande debate, aqui na Áustria. Afinal de contas, pode um político, no caso de um Primeiro-Ministro, seguir no cargo, mesmo sendo investigado.

Nos últimos meses de pandemia, o governo com seus parceiros de coalizão, conservadores e verdes, sempre tiveram o alvo comum de combater o vírus. Mesmo, que em alguns momentos tiveram várias divergências, como por exemplo, na extradição de crianças estrangeiras.

Por quanto tempo mais, Kurz permanecerá, não se sabe. Uma coisa é certa, se as acusações se confirmam, Kurz deverá renunciar. Se o governo ficará sem ele, agora é difícil prever.

Para aqueles que querem assistir essa entrevista, aí está um disponível no You Tube: