Banqueiro austríaco é preso por lavagem de dinheiro com a Odebrecht

A notícia repercutiu muito aqui e decidi traduzi-la, para o Blog. Afinal de contas, grande parte do caos político que vivemos hoje no Brasil é fruto dos escândalos de corrupção envolvendo a Odebrecht. Aqui o resumo.

Na semana passada, o ex-chefe do Banco “Meinl Bank”, Peter Weinzierl foi preso na Grã-Bretanha. O Ministério Público dos Estados Unidos pediu a sua prisão por sua ajuda no processo de lavagem de dinheiro e suborno com a Odebrecht.

A Odebrecht e sua afiliada, Braskem S.A, uma das maiores petroquímicas do Brasil subornou durante anos funcionários públicos. A empresa pagou 3,5 bilhões de dólares para autoridades supervisoras e trocou de nome para se chamar Novonor. Essa empresa também faz parte da Odebrecht.

Um procurador nova iorquino acusa Weinzierl e cúmplice de participar dessa ação entre 2006 e 2016. Nesse momento Weinzierl não foi preso. No texto da reportagem, o nome do cúmplice de Weinzierl não foi citado.

Meinl Bank em Antigua, ilha no Caribe

O “negócio” aconteceu através do “Wiener Meinl Bank” e “Meinl Bank Antigua”. Nesse momento, Weinzierl e cúmplice eram diretores da sede do “Meinl Bank” em Antigua. Ambos fizeram transações e acordos de fachada no valor de 139 milhões dólares de uma conta de um banco em Nova York através do banco “Meinl”, para uma conta da Offshore da Odebrecht.

Weinzierl, que também tem problemas com a justiça austríaca e sempre qualificou as acusações como “mentirosas”. Esse dinheiro foi para funcionários do governo e gerentes das empresas petrolíferas no Brasil, México e Panamá, em contrapartida para contratos para a Odebrecht.

De volta ao “negócio”

Em 2010, de acordo com a procuradoria norte-americana, “Meinl Bank” vendeu sua sociedade em Antigua para a Odebrecht, ao que se chamou de “Division of Structured Operations” – DSO. Esse foi uma divisão criada exclusivamente para o “dinheiro sujo”.

De acordo com o Banco Central Europeu, em maio de 2011, 51% das ações do banco “Meinl Bank” na ilha caribenha Antigua foram vendidas. Mas, a sede em Viena manteve até outubro de 2015 uma minoria com direito de veto de 33%. Os vieneses eram representados por dois diretores na Presidência, assim como via contrato de sindicato para o “controle efetivo e participativo”. A filial em do “Meinl Bank” em Viena foi usada para essas transações.

Nos chamados “deals”, Weinzierl e seu cúmplice, de acordo com a procuradoria norte-americana, envolveram um banco português, quatro suíços, um em Liechtenstein e mais quatro em Nova York, quase todos, empresas de fachada e Offshore. Tudo detalhado, em uma denúncia de cinco paginas, tamanho A4.

Um representante da Petroleus Mexicanos e uma empresa de gás e óleo mexicana receberam algo como cinco milhões de dólares, entre 2013 e 2014. Essa transação se deu por empresas de fachada nas ilhas virgens britânicas. Quase três milhões de dólares foram através do Panamá para um representante da Petrobrás, no Rio de Janeiro.

Investigações na Áustria

A Procuradoria para Corrupção, na Áustria – WKStA investiga desde de 2017 as transações entre “Meinl Bank” e a Odebrecht com a suspeita de lavagem de dinheiro e suborno.

Há também outras denúncias envolvendo Weinzierl e “Meinl Bank”, em outros países, como por exemplo na Ucrânia .

Weinzierl vive entre a Grã-Bretanha e a Rússia onde ele supervisiona um projeto para construção de hotéis e residências de luxo.

Em entrevista ao canal austríaco ORF, para o telejornal ZIB 2, George Krakow, ex-procurador e e especialista da “Transparency International” falou que esse tipo de investigação é muito complexa e involve vários países. Esse é um tipo de investigação que custa tempo e muita coragem.

Weinzierl provavelmente será deportado da Grã-Bretanha para os Estados Unidos. A Grã-Bretanha não faz mais parte da União Européia e não precisa informar o governo austríaco sobre uma possível deportação.

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