Meio-Ambiente: O Dilema alemão

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Na sexta-feira, à noite, em pleno horário nobre, no principal canal de televisão alemão, o ARD, foi ao ar um programa de arrecadação de dinheiro para as vítimas das enchentes no sudoeste da Alemanha, que compreende das regiões de Rheinland-Pfalz und Nordrhein-Westfalen. Essa última, a mais afetada.

Esse tipo de programa, para arrecadar dinheiro para vítimas de catástrofes naturais são comuns nesse país. Essas arrecadações vão para países como Índia, Bangladesh, Moçambique, países fora da Europa, normalmente. O incomum é que se faça um programa desses para alemães, que perderam tudo com as enchentes.

As chuvas que caíram foram atípicas. Choveu tudo, o que não choveu em semanas, em questão de minutos. O solo não conseguiu absover a quantidade de água caída. O mais surpreendente é que se trata de aéreas onde os rios estão canalizados, como o rio Reno e o rio Mosela. É também uma das regiões mais ricas da Europa e mais desenvolvida. Como uma tragédia dessa pode ter acontecido?

Já não é de hoje, que especialistas alertam quanto aos efeitos das mudanças de climáticas. Também apelam para mudanças drásticas para diminuir a emissão de gases. Os efeitos já estão sendo sentidos. A cada verão, quando as chuvas chegam os estragos são notórios e com isso, os prejuízos, sejam com número de mortos ou perda na infraestrutura.

Ao mesmo tempo, discuti-se um planejamento de cidades, preparadas para enchentes. Especialmente a canalização de rios, que não estão preparados para quantidades de chuva, acima do “normal”. O que havia de infraestrutura pertence a outros tempos. Sem contar, com os avisos para que os habitantes sejam evacuados, o mais rápido possível.

Sejam estragos na infraestrutura, como estradas, transportes público ou a nível privado, onde as pessoas perdem suas casas, carros, além das indústrias e comércio. O prejuízo é grande, mesmo com o seguros não terão dinheiro suficiente para ressarcir os efetados. Dependendo do tamanho da catástrofe, a pergunta é se os seguros conseguem pagar as apólices.

Amor à natureza e sem limite de velocidade

Ao mesmo tempo, que há um fascínio pela natureza, especialmente pela Amazônia, há a possibilidade de se correr pelas autopistas, sem limite de velocidade. Claro que isso, também significa, para a indústria automobilística, a venda de carros potentes, que emitem o famoso CO2, responsável importante pelo aquecimento global.

O DricaRibas já conversou com vários alemães sobre essa questão. Por um lado, aqueles que defendem essa “corrida” nas autopistas, esses falam do sentimento de liberdade. Os que não defendem isso, acham absurdo. Um ponto de divisão na sociedade alemã.

Claro que não é somente, o fato de parte dos alemães não terem limite de velocidade ,em suas autopistas, os únicos responsáveis por essa catástrofe. Passa por uma reflexão também, no modo de produção, por parte das indústrias. Algo que seguramente demorará anos para trocar.

Eleições em 26 de setembro

Para o comezinho do outono, haverá as eleções do parlamento alemão. Eleições que não somente marcarão o fim da era Angela Merkel, mas que trará a questão ambiental como centro dos debates, bem como a Pandemia. Essa ainda não terminou e com a variante Delta, ela trará um enorme desafio, não somente para a Alemanha, mas para todo o continente

Nesse caso, a questão ambiental entrou como pauta, não para fazer um discurso “bonito”, mas por necessidade. Essa catástofe natural pode se repetir, a qualquer momento.