Causa Ischgl: Quem errou?

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Começou em Viena, no Tribunal de Primeira Istância, o julgamento da Causa Ischgl. Em março do ano passado, no vilarejo de Ischgl, no estado do Tirol, milhares de turistas foram retirados, as pressas, por conta das medidas de contenção da Covid19. Muitos turistas alemães foram infectados e alguns morreram, no total de 32 pessoas. Ischgl foi considerado também o hotspot do vírus para Alemanha e norte da Europa.

No caso, a República da Áustria está sendo acusada de tomar as medidas de contenção muito tarde, para não prejudicar o setor do turismo. A acusação alega que essas medidas deveriam se ter sido tomadas, pelo menos, uma semana antes, da Conferência de Imprensa, no dia 13 de março quando o Primeiro-Ministro, Sebastian Kurz anunciou o primeiro lockdown no país.

O primeiro processo é de uma viúva e seu filho, cujo o esposo, Herr Schopf morreu poucos dias depois de voltar de Ischgl. Eles pedem uma indenização de 100 mil euros do governo austríaco para cobrir os custos do enterro e parte da dor pela morte do ente querido. A acusação foi preparada pela Associação dos Consumidores – VSV – Verbraucherschutzverein. Outros quinze processos devem começar entre os meses de setembro e outubro.

A República da Áustria, representada por um Procurador de Finanças alega que não foi possível fechar antes, por não haver informações claras sobre a doença causada pelo vírus da Sars-Cov2. De acordo com a defesa “não se pode fechar estabelecimentos sem fatos claros e sem estar conforme com as leis do país”.

Turbulências para o governo

Esse processo começa em um momento difícil para o governo. O número de casos de Covid19 vem aumentado muito, por conta da variante Delta. Agora, no momento que o DricaRibas escreve este post, são 2.634 casos.

Especialistas alegam que mais de um milhão de pessoas devem ser vacinadas, pelas próximas semanas, para se evitar a sobrecarga dos hospitais e um possível lockdown. Desde de 15 de setembro, há novas medidas de contenção, mas que não consideradas claras, o suficiente, como o controle do uso de máscaras de FPP2 por parte dos não vacinados.

Com certeza, os próximos tempos, aqui na Áustria prometem ser quentes, mesmo com o frio do outono chegando.

Para aqueles que estão aprendendo alemão, clique aqui, imprensa alemã e aqui, imprensa austríaca.

Atualização

No fim de tarde, do mesmo dia, o processo foi fechado por uma juíza, sem o procedimento de produção de provas.

O processo é complexo, até porque no começo da Pandemia, não era claro quais eram as consequências reais para a saúde pública e pouco se sabia, diferente de agora, quase dois anos depois.

A República da Áustria usa como argumento que as leis de contenção do vírus é para todos e não somente para proteger uma pessoa. Mesmo assim, o advogado do acusador trouxe duas mil testemunhas.

Mesmo que do ponto jurídico, os processos sejam encerrados, por falta de “provas”, no campo político reacende a discussão entre salvar vidas e proteger a economia, o que aliás, tem sido a tônica dessa Pandemia.