Eleições Municipais 2020: Cadê os moderados?

Já faz uns dias que se comemora uma frente de esquerda, seja para a eleição de segundo turno para a cidade de São Paulo, como para Porto Alegre.

Vamos falar da cidade de São Paulo. Para o segundo turno, a disputa é entre o atual Prefeito, Bruno Covas do PSDB e Guilherme Boulos do Psol. A frente de esquerda é contra o fascismo e a extrema-direita, em outras palavras, o governo federal. Bruno Covas não é nem um ou outro. Um político de centro, onde sua gestão deveria ser confrontada. A “frente de esquerda” poderia focar o debate no combate ao Coronavírus e trazer propostas para o pós-pandemia, especialmente para a capital que é o motor econômico do país.

Essa frente pode ser encarada, como um balão de ensaio para as eleições presidenciais de 2020, uma espécie de “troca” de líder entre Lula e Boulos. Uma espécie de termômetro que até o momento funciona, já que Boulos conseguiu chegar ao segundo turno.

Por outro lado, muitos nomes que fazem parte dessa “frente de esquerda” deveria repensar sua escolha. Gente interessante, inteligente embarcando num processo que no passado, culminou na eleição de Jair Bolsonaro.

Em 2018, a onda anti-PT elegeu o governo que temos hoje. Bolsonaro navegou nessa onda. Depois, acabou traindo os seus eleitores, ao acabar com a Lava-Jato para salvar a pele de seu filho, Flávio Bolsonaro. Os brasileiros já deram o seu recado nas urnas aí. O resultado das eleições municipais do primeiro turno, já deixaram claro, mais uma vez, que os brasileiros não querem “ismos”.

Todos os candidatos apoiados por Bolsonaro, não se elegeram. Ao acabar com a Lava-Jato, a maior operação contra a corrupção no país, Bolsonaro perdeu parte importante do eleitorado. Também sua atitude negacionista em relação à Covid19 gera revolta. Atitude semelhante custou a eleição de seu ídolo, nos Estados Unidos, Donald Trump.

Já faz tempo que o DricaRibas escreve: hora dos moderados sairem de suas tocas. Chega de “ismos”, hora de colocar um país para frente, encontrar as soluções na política, com respeito ao dinheiro público, por mais difícil e desafiante que seja. Hora dos eleitores darem mais uma vez, o seu recado nas urnas.

Racismo no Brasil: A morte de João Alberto.

Na noite de quinta-feira, 19 de novembro, nós tivemos a lamentável notícia da morte, por espancamento de João Alberto Silveira Freitas, véspera do dia da Consciência Negra. Ele foi espancado em uma loja da rede Carrefour de supermercados, em Porto Alegre. De acordo com o jornal “O Globo”, João teria ameaçado uma funcionária.

Bem, vamos lá para o fato. Se João Alberto ameaçou a funcionaria, ele poderia ser sido repreendido, mas não espancado até a morte, como mostra vídeos que circulam pela Internet. Isso mostra o despreparo desses funcionários, incluindo um deles policial, para lhe dar com a situação difíceis.

Trata-se de racismo. A vítima é negra e os agressores são brancos. É um fato na sociedade brasileira, onde a população afro-brasileira sempre esteve a margem, seja como vítima ou como agressor.

Isso é fruto de uma integração social que nunca aconteceu, desde da Abolição da Escravatura, em 1888. E não adianta políticos espertalhões e oportunistas acharem que só “ideologias” resolverão esse grave problema estrutural que temos.

Precisamos de um projeto educacional para inserirmos a população afro-brasileira, finalmente na nossa sociedade. Ao mesmo tempo, precisamos também combater o racismo, em todas em frentes. Claro que isso demanda tempo e muita política.

Mas, grupos políticos e espertalhões preferem apostar no racismo e divisão da sociedade, seja para se perpetuar no poder ou ganhar dinheiro.

Precisamos dar um basta nisso. Agora estamos “chocados” e colocamos nossas “raivas” através das redes sociais, mas depois “esquecemos”, até a próxima a morte. Que tal colocarmos a mão na massa e resolver o problema? Ou melhor, os problemas: racismo, desigualdade social, inserção social e por aí, vai.

Para encerrar o post, meus pêsames aos familiares de João Alberto.

Eleições Municipais: O debate dos problemas cotidianos dos brasileiros ficaram de lado.

As eleições municipais transcorreram na santa paz. Milhares de brasileiros foram as urnas para escolher os representantes nos seus estados.

Toda a campanha foi tomada pelos “ismos”. Até mesmo a Pandemia, que aqui na Europa está a todo vapor, também foi colocada de lado. Já faz alguns dias que várias postagens, nas redes sociais falam da sobrecarga dos hospitais, especialmente dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

O positivo é que a população decidiu abortar os “ismos”, especialmente os candidatos apoiados pelo Presidente Jair Bolsonaro, que não se elegeram. Isso é um recado da população, que se cansou da polarização estremada. Também mostra aos políticos, que se as redes sociais são ferramentas importantes para persuasão do público, mas elas não substituem o mundo real, a política presencial.

Haverá segundo turno nas 57 cidades, dentre as quais, 18 são capitais. O segundo turno está marcado para o 29 de novembro.

Observando o Rio de Janeiro e São Paulo, o nível do debate parece que não se voltará para os problemas cotidianos da população.

No Rio, o prefeito atual Marcelo Crivella (Republicanos) enfrentará Eduardo Paes (DEM). Crivella é aquele que usa sua militância contra jornalistas e a população. Conhecido ficaram a série de reportagens do Globo mostrando que qualquer um que reclame sobre os serviços médicos, acabe sendo enxotado. O prefeito é da linha negacionista do Presidente. Eduardo Paes é aquele que era Prefeito quando a ciclovia Tim Maia foi construída. A ciclovia foi erguida em 2016 e tem, pelo menos, quatro trechos derrubados. Se ele disse que se arrependeu do projeto, ele mesmo poderia, quando estava no cargo, ter fiscalizado. Afinal de contas, a ciclovia Tim Maia custou 44,7 milhões de reais do bolso do contribuinte fluminense. Os dados são do Jornal “O Globo”. Difícil escolha, para os cariocas da gema.

Em São Paulo, o segundo turno ficará entre o Prefeito Bruno Covas do PSBD e Guilherme Boulos do Psol. A cidade de São Paulo é o coração econômico do país e precisava de estratégias claras contra o Coronavírus, que aliás segue a congestionar os hospitais. Mas, pelas vistas, a campanha seguirá entre “fascistas” ou não. Aliás, diga-se de passagem, termo que caiu na “normalidade” quando não deveria, já que muito desses, nem sabe o que realmente significa “fascismo”. Lamentável.

Se a população decidiu abortar os “ismos”, infelizmente terá dificuldade para escolher candidatos comprometidos com seus problemas cotidianos. Pelo andar da carruagem, esses seguirão colocados de lado.

Para atualizar o post, os primeiros debates após a eleição, os candidatos para as principais capitais brasileiras, parecem ignorar o vírus. Sabem que um lockdow é uma medida impopular, mas o fato de “ignorar” também não é uma estratégia. Eles serão cobrados assim mesmo, pelo seus eleitores.

A triste cifra dos 100 mil mortos

Chegamos a triste cifra dos 100 mil mortos. E não há, parte dos nossos políticos nenhum tipo de iniciativa para buscar soluções para encarar a Covid19.

O governo erra ao não proporcionar o maior número de testes possíveis. Identificar aqueles que faleceram de Covid19 ou se possuía alguma doença pré-existente. Isso seria importante também para haver uma fiscalização sobreo uso dos recursos liberados pelo Governo Federal.

Muitos jovens, no Brasil tem falecido devido ao vírus. O que me intriga. Aqui na Áustria, dos 711 mortos, todos eram do grupo de risco ou possuía uma doença pré-existente. Será que o vírus sofreu alguma mutação? Mais uma razão para testar e pesquisar.

E a oposição? Faz um jogo de cena, com palavras bonitas, mas vazias na intenção real de encontrar estratégias para enfrentar o virus. Essa, só será encontrada na política.

A elite política brasileira não acredita nisso. Preferiu criar uma cortina de fumaça “ismítica”. Vossas excelências em Bsb estão acostumadas a politicagem. E usa o virus para isso. Muitos políticos só se mexem con uma única intenção: ganhar eleições.

Verdade também que o vírus expõe tudo de pior que um pais têm. No caso do Brasil, uma elite política que só olha seu umbigo e uma tremenda desigualdade social. Como é possível falar em isolamento social, nas favelas? Difícil.

No mais, meus pêsames as cem mil famílias. Cem mil pessoas corresponde a uma cidade de médio porte, aqui na Europa. Assusta e entristece.

Já faz tempo que precisamos repensar o Brasil. Mas, para essas 100 mil pessoas, tarde demais. Infelizmente…

Expõe a enorme desigualdade social