Diário DricaRibas: Entre Lockdown e Vacina

Começou a vacinação contra a Covid19 na Europa. Parte dos países escolheram vacinar as pessoas idosas, o grupo de risco. Aqui em Viena, a primeira pessoa que recebeu a vacina foi uma senhora de 84 anos. Ela quer rever a sua família, o que é totalmente lógico.

A vacina chega em um momento bastante difícil, da segunda onda de infecções na Europa. Tentou-se apelar para a consciência dos cidadãos, mas só se baixou o número de infecções com os lockdowns. Desde de ontem, aqui na Áustria, estamos vivendo o terceiro lockdown. Esse durará até o fim do mês de janeiro. Haverá uma segunda rodada de testes em massa. A primeira rodada, houve uma participação muito baixa. Dos quase dez milhões de habitantes, apenas dois milhões participaram.

Para a segunda rodada, o governo prepara alguns “incentivos” , como voucher para compras. Fala-se de obrigatoriedade de apresentação de um teste negativo para participar de eventos, tipo teatro ou cinema. Os detalhes ainda não se sabe. Mas, há uma tendência de se exigir testes de Covid19 negativo para atividades futuras. Isso já acontece nas viagens, seja para embarcar nos aviões ou no controle de fronteiras.

Isso será uma espécie de demonstração para a vacina, onde a mesma será exigida, seja para viagens ou atividades culturais, por exemplo. Essa é a possível maneira de se vacinar os 50% da população e assim retirar o bendito lockdown.

Com certeza, o passo de hoje foi muito importante para conter a Pandemia, quem sabe, até o mais importante. Uma luz no fim do túnel e um sopro de esperança para 2021.

Diário DricaRibas: A vacina que chega na Europa.

No dia 27 de dezembro, finalmente vai começar nos países da União Europeia, a vacinação contra a Covid19. Na Áustria, a vacina será aplicada nos moradores e trabalhadores das casas de repouso.

Nessa segunda onda de infecções é alta a mortalidade entre as pessoas acima de 65 anos. Houve, em um único dia, duzentos mortos. Atualmente, de acordo com Ministério da Saúde daqui são 478 pessoas que estão nas Unidades de Terapia Intensiva. Mesmo que o número de infectados baixou bastante, agora na casa dos dois mil por dia, os hospitais seguem sobrecarregados.

Depois dos grupos de riscos, vem os profissionais de saúde, professores, policiais e aí por diante. Eu escrevi no post abaixo, do dia 25 de novembro, como será o programa de vacinação austriaco:

Covid19 na Europa: Vacina a partir de Janeiro: https://dricaribas.com/2020/11/25/covid19-na-europa-vacina-a-partir-de-janeiro/

O objetivo é vacinar mais de 50% da população até o verão do ano que vem, para que possamos ter a nossa vida de antes.

Há uma apreensão muito grande no ar, depois que o governo britânico anunciou uma versão 70% mais infecciosa do vírus. Muitos países, aqui no continente proibiram os voos do Reino Unido. Ontem, o último vôo que chegou de Londres, aqui em Viena, todos os passageiros foram colocados em quarentena.

Especialistas acreditam que essa vacina seja o suficiente, até mesmo para essa mutação infecciosa do vírus. Que assim seja, porque esse troço de viver de quarentena em quarentena dá no saco. Já vamos, para a terceira, a partir do 26 de dezembro. Em algum momento, tem que acabar.

Covid19 na Europa: Vacina a partir de Janeiro.

Apesar do momento difícil que estamos vivendo, aqui em solo europeu, onde muitos países se encontram em lockdown, a vacinação contra o vírus da Covid19 começará em janeiro.

A aprovação da vacinas estão próximas, dentro dos países da Comunidade Européia. Essas são dos laboratórios Pfizer/Biontech, Astrazaneca e Modena. Serão necessárias duas doses por pessoa.

O Ministro da Saúde austríaco, Rudi Anschober anunciou uma estratégia de vacinação para o país, em três fases:

– Primeira fase: entre janeiro e fevereiro. O público alvo são os profissionais de saúde, moradores das casas de asilo e grupos de risco com doenças como diabetes. Estarão disponibilizadas cerca de um milhão de doses, o que corresponde a quinhentas mil pessoas.

– Segunda fase: entre março e april. Exemplos de grupos a serem vacinados: policiais e profissionais na aérea de educação, como professores. Nesta fase estarão disponibilizados dois milhões de doses, o que corresponde um milhão de pessoas vacinadas.

– Terceira fase: a partir de abril, a vacinação será prolongada para a população em geral. Estarão disponibilizadas quatro milhões e meio de doses. Vale lembrar que são necessários duas doses, o que corresponde a mais de dois milhões de pessoas.

A idéia é vacinar cinquenta por cento da população. A vacina não será obrigatória. O governo austríaco fará uma campanha para conscientizar a população, Aí, cabe a cada um procurar seu médico e se informar se vale ou não tomar a vacina, de acordo com seu estado de saúde.

Muito boa notícia! Uma luz no fim do túnel, depois de um ano de 2020 difícil. Até lá, haja paciência.

30 anos de Reunificação da Alemanha.

Hoje, comemora-se os 30 anos da reunificação da então, Alemanha Oriental e Ocidental. O país foi dividido, logo após a Segunda Guerra Mundial. A parte ocupada pela então União Soviética se transformou em uma república socialista.

40 anos de separação e depois muita pressão do povo alemão, a Alemanha se unificou. Também marcou o fim da Guerra Fria. Naquele momento, havia uma esperança no ar de que o mundo, quem sabe, poderia finalmente viver em paz.

30 anos depois, em plena Pandemia de Covid19, tudo de ruim de todos os países. Autoritarismo, populismo, pobreza, desigualdade social…Não se aprendeu nada.

Na Alemanha, depois de unificada, os alemães ainda precisam resolver as diferenças sociais e de mentalidade que persistem. Mesmo que a reunificação possa ter tido problemas, ela foi necessária. O mundo precisa refrescar a memória e retornarmos naquele sentimento positivo de “unificação”. Será?

Covid19 na Europa: Por que morre menos gente na Europa?

Formulário para teste da Covid19 nos colégios em Viena.

Ontem, eu estava acompanhando esse debate nas redes sociais no Brasil. Com certeza, não é uma pergunta fácil de se responder, mas podemos fazer uma comparação com a estratégia adotada por aqui, com a estratégia brasileira.

O grande diferencial  é com certeza os testes realizados para a detecção da Covid19. Verdade que no começo da Pandemia, não se conhecia muito sobre o vírus. Não havia muitos testes disponíveis, bem como todo equipamento para proteção, como máscaras. Seis meses depois, conseguiu se traçar uma estratégia para conviver com o vírus e ela é baseada nos testes.

No começo da Pandemia, tanto o governo alemão e austríaco disponibilizaram números telefônicos, para que as pessoas telefonassem, antes de ir ao hospital. A idéia era evitar a aglomeração de pessoas nos pronto atendimentos e com isso mais infecções e mortes, como aconteceu na Itália e Espanha.

Nem sempre funcionou perfeito. No começo da Pandemia, os números ficaram sobrecarregados, e agora, na segunda onda, o problema persiste. Nas últimos dias, o governo da cidade de Viena disponibilizou ruas para que as pessoas venham de carro e façam o teste. Também haverá testes nos colégios. Ontem, eu recebi do colégio, uma autorização  para que minha filha faça o teste.  Na Alemanha, por exemplo, discute-se criar postos para se tirar temperatura. Todas essas estratégias é para evitar um segundo lockdown.

No começo da Pandemia, o lockdown – o encerramento de todas as atividades comerciais, sociais, escolas foi necessário. Não se conhecia sobre a Covid19. Foi um laboratório ao ar livre.

Boa parte dos mortos foram dos grupos de riscos. Pessoas acima de 65 anos, com alguma doença pré-existente. Além do teste, sempre se realizou uma autópsia para confirmar a causa da morte. Também houve uma preocupação com os grupos de riscos. Casa de repouso e asilos foram literalmente lacrados. Tudo isso, para proteger os idosos.

Durante o verão, houve a flexibilização, já que o numero de casos foi colocado sobre controle. Mas, o vírus mostrou o quanto infeccioso é. O bom exemplo disso é a Tchequia. No começo da pandemia, o país vizinho da Áustria tinha pouquíssimos casos. Depois do verão, em dia teve mais de três mil casos.

Na leitura DricaRibas, os governos não tiveram a precaução necessária para o outono. Esse que marca o inicio das aulas e todas atividades. O mais preocupante é que ainda não chegou o frio de fato, esse marcados por resfriados e gripes. Com certeza, não será fácil. Mesmo que o primeiro lockdown foi necessário, o prejuízo na economia foi imenso, seja pelo número de desempregados ou empresas que fecharam.

 E no Brasil? A Covid19 foi tratada como mais um tema para polarizar. Não houve testes o suficiente. Recentemente, conversando com amigos em Brasília, fazer um teste para Covid19 e difícil. Ou paga-se através do plano de saúde, que nem todos possuem ou espera até 10 dias pelo SUS. O que para alguns pode ser tarde demais.

Uma coisa que sempre me intrigou, no Brasil é a alta taxa de mortalidade entre jovens. Mas, como não houve testes, tampouco não houveram autópsias. Ao estabelecer um protocolo único para a Covid19, essa pergunta dificilmente serás respondida.   

Para concluir esse texto, a estratégia  dos testes tem se mostrado fundamental, seja para salvar vidas ou a economia dos países. Agora, ela vai enfrentar sua prova de fogo. Torcemos que dê certo.

Fontes: Dois institutos responsáveis pela contagem prevenção da Covid19.

Robert Koch Institut na Alemanha: https://www.rki.de/DE/Home/homepage_node.html

Ages na Áustria: https://www.ages.at/themen/krankheitserreger/coronavirus/#