flores nas ruas do Schwendenplatz

Atentado em Viena: um ano depois

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flores nas ruas do Schwendenplatz

Era muito tarde e eu estava me preparando para dormir, quando o meu celular começou a apitar. As mensagens afirmavam que havia um tiroteio no centro de Viena e que nínguem deveria sair de suas casas.

Minutos depois, a polícia de Viena, via Twitter pedia que não passassem os vídeos adiante para não confundir as pessoas. Foi uma noite longa e agoniante. No total foram quatro mortos e 23 feridos.

A area onde o atentado ocorreu é o Schwendenplatz . Aí é uma das partes mais antigas da cidade, no primeiro distrito. Ali há vários bares, com uma vida noturna chamada “Bermuda Drei”. A prórpria DricaRibas esteve aí várias vezes.

Nesse mesmo local, há a Sinagoga de Viena e a igreja mais antiga de Viena, a Ruprechtskirche do ano de 1280.

O terrorista é nascido na Áustria, cujos os pais são da Macedônia do Norte. Era simpatizante do “Estado Islâmico”. Ele já era conhecido do serviço secreto austríaco por tentar ir para a Síria para ser treinado pelo “Estado Islâmico”.

Em outubro do ano passado, o terrorista comprou armamento pesado em Bratislava, capital da Eslováquia. O serviço secreto eslovaco alertou os colegas austríacos, que nada fizeram.

Antes, em 2018, ele chegou a fazer parte de um serviço de desradicalização do Ministério da Justiça. Conseguiu, até mesmo um atestado de que não seria um perigo para a sociedade. Dois anos depois, ele cometeu esse atentado.

As vítimas entraram na Justiça contra a República da Áustria alegando que não observaram o terrorista e não tomaram providências necessárias, para até mesmo para evitar o atentado.

Como evitar a radicalização dos jovens estrangeiros?

Essa é uma pergunta muito antiga. Dos vinte anos de Viena, eu já vi todos os tipos de cenas desagradáveis entre austríacos e estrangeiros de origem islâmica. No caso de Viena, específico são os turcos. Muitos nascidos aqui, que frequentaram escola e que falam alemão.

Muitos acabam se radicalizando, seja através da internet ou algumas mesquitas, também radicalizadas. Aí se encontra um grande desafio, já que não se pode considerar “todos” terroristas, o que não são.

Seria necessário o esforço de ambos os lados, sejam dos estrangeiros e austríacos para construir uma relação de convivência. Isso não significa que um deixaria de ser estrangeiro ou outro deixaria de ser austríaco.

Importante é dar uma perspectiva para esses jovens, que encontram nas redes sociais dos extremistas, algo que na vida deles não existe, a sensação de ser finalmente “alguém”.

O grande problema aí é a gama de políticos oportunistas que usam esse tema tão sensível para dividir a sociedade, para ganhar votos.

O dia seguinte

No dia seguinte, logo de manhã cedo, a DricaRibas tinha um compromisso na cidade que não poderia ser adiado, perto de onde ocorreu o atentado. A recomendação era de ficar em casa. A cidade era vazia, cidade fantasma estilo faroeste.

Não aconteceu nada, mas o sentimento era muito ruim. A sensação é que se podia aparecer alguém atirando, a qualquer momento. A sensação de medo que os terroristas conseguiram plantar.

Para concluir este texto, o governo austríaco implementou uma restruturação do seviço secreto, o BVT – Bundesamt für Verfassungsschutz und Terrorismusbekämpfung  que vinha com muitos problemas do governo anterior, cuja a coalizão era entre ÖVP, partido conservador e FPÖ, partido da ultradireita. Além de recuperar a credibilidade, a idéia é que se torne mais ágil e observar aqueles que porventura, se radicalizem.

Aliás, essa pergunta que fica no ar, se esse atentado poderia ter sido evitado.

O que é BVT?

O Bundesamt für Verfassungsschutz und Terrorismusbekämpfung é o Serviço Secreto da Áustria. Ele faz parte do Ministério do Interior e mesmo antes do atentado era centro de críticas pela má estruturação do serviço que teve influência dos partidos políticos. Agora, após o atentado, o governo promete sua reestruturação total.